sexta-feira, 14 de outubro de 2011

semana da jabotecaba


Faz tempo que não tenho um sonho poético, eu penso lendo Adélia Prado. Já tive muitos e um dia desses mesmo uma amiga me contou um obviamente poético.

Há três histórias de jabuticaba que eu não contei:

É pura coincidência, mas acontece que jabuticaba é minha fruta favorita. Sou capaz de recusar um brownie de chocolate e um pote de doce de leite por um punhado de jabuticabas doces e geladas.

A segunda história é de uns 15 ou mais anos atrás. Nas férias de janeiro em Tatuí íamos sentados no braço do trator ou de charrete ou de caminhonete até o sítio do Seu Pedro. Lá brincávamos com os pintinhos (que ele de vez em quando nos deixava levar para o nosso sítio) e comíamos frutas do pé. Lembro da manga e da jabuticaba. Pode conter sonho essa história, mas uma vez eu encontrei uma jabuticaba tão grande, e depois de ver a jabuticaba paulista no Ceagesp eu sei que era ela, uma paulista, e guardei-a na mão escondida pra comer depois. Sentada na caminhonete, mostrei a jabuticaba para meu primo Bruno, ele a roubou e comeu. Foi tão devastador que nunca mais me esqueci da jabuticaba gigante do sítio do Seu Pedro.

A terceira é a história de uma jabuticabeira que vivia num terreno dos Jardins até que um dia resolveram construir o shopping Iguatemi. Iam derrubá-la não fosse pelos pedreiros que trabalhavam na obra. Eles transplantaram a árvore, estimavam uns 50 anos, para sua casa na Lapa. A Lapa virou um bairro chique, venderam a casa, a moça que a comprou a revendeu para Chus & Sérgio, que gostaram dali muito por causa daquela jabuticabeira enorme no quintal. A proprietária disse "quase derrubei essa árvore". Ela empatava sua vida na hora de manobrar o carro.

Um dia terei uma jabuticabeira no quintal pra chamar de nossa (e prometo não ser rancorosa e convidar o Bruno pra comer dela).

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